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Brasileira

J. G. de Araújo Jorge

Biografia

Poeta, escritor, jornalista e político brasileiro, autor de uma extensa produção lírica.

José Guilherme de Araújo Jorge nasceu no Acre e formou-se em Direito no Rio de Janeiro. Atuou como professor, jornalista, publicitário e escritor, publicando livros de poesia, prosa e ensaio. Também exerceu sucessivos mandatos de deputado federal entre 1971 e 1987.

Acervo do autor

Frases de J. G. de Araújo Jorge

“⁠Se porventura de repente um dia o tempo de se esvai na mocidade, encher-te de tristeza e de saudade dos bons momentos desta alegria Se como paralelas os caminhos jamais se encontrem novamente hás de lembrar, ao tempo que consome, relendo estas linhas tristemente Que és em cada letra do teu nome a chama do amor que eu quis a chama que o tempo não consome e que há de brilhar para te fazer feliz”

“Quero que me desculpe, amor, este gasto coração tão viajado, tão tatuado de amores. Quero que me desculpe, amor, esta ironia que me defende contra a vida e que te fere às vezes, sem razão. Que me perdoe, também, essa alma turva que não pode espelhar tua alegria e onde em vão te debruças, imprudente. Quero que me desculpe a minha vida fim de novela que não dá sequer para tecer franquias baratas um sonho pequenino e aquecer teu coração. Que me desculpe, amor, porque fui cúmplice do destino que tramou o nosso encontro, e porque nada fiz, por covardia, para evitar o mal que já sabia. Quero que me desculpe, amor, tão pobre amor, tão gasto amor, tão viajado amor, resto de um pouco amor que ainda subsiste, – que encontraste no cais, quando chegavas, e eu já partia, embebedado e triste…”

“Se ... Se eu pudesse parar a minha vida e dar eternidade a um só momento, se eu não tivesse o meu destino preso ao destino das coisas nos espaços... Se eu pudesse destruir todas as leis e dentro do Universo que se move parar o meu mundo: havia de escolher esse segundo em que Você estivesse nos meus braços!”

“Gosto quando me falas de ti... e vou te percorrendo e vou descortinando a tua vida na paisagem sem nuvens, cenário de meus desejos tranqüilos.”

“" Curiosa " Quando acordei já te encontrei de olhos abertos me espiando... Curiosidade a tua! querias ver com certeza como eu sou sonhando contigo!”

“" Solilóquio Nº 4 " Aperto a cabeça contra as mãos, e penso que ainda há pouco tu a apertavas contra o seio. Ficou em minhas mãos o cheiro de teu corpo e estás em mim, e no ar que me acompanha És um halo ao meu redor, que eu sinto e vejo e quase apalpo com as minhas mãos vazias que ainda te aguardam... Aperto a cabeça contra as mãos, como se ainda pudesse apanhar-te no pensamento.”

“10- ERA TANTO? E era tanto o que eu pedia? Por que negavas assim? Afinal eu só queria que tu te desses a mim...”

“Tive muito amor para dar, a quem não teve braços para receber.”

“ORDEM DO DIA Não chegaremos ao livro, sem o leite e o pão, nem chegaremos ao pão sem à terra e sem o teto, nem chegaremos à terra sem liberdade e justiça, nem chegaremos à liberdade, sem coragem e honestidade, oh! a indispensável coragem para essa luta. Lutemos pois, - todos nos, -brancos, pretos e amarelos, que choramos e comemos, que crescemos e estudamos, que sofremos e construímos, como homens sem cor, todos nos que precisamos do mesmo leite branco e do mesmo livro, e da mesma terra, e da mesma liberdade para Viver. Viver. Ou ao menos morrer, mas lutando.”

“Áh ficar a te esperar é a um só tempo viver a angustia de te perder e a alegria de te encontrar.”

“A sós ... Como duas gaivotas na solidão do céu, em pleno mar, sonhando no ar... A sós como duas mãos quando se procuram e se encontram, sem voz... Como eu e tu quando somos nós a sós...”

“Saudade: enigma cruciante que talvez se explique assim: - quanto mais te sei distante mais te sinto junto a mim...”

“Tu pensas que amas muitas vezes... Engano, puro engano, esse é um estranho milagre do coração humano que custei a entender, e que ainda não compreendes talvez: - Toda vez que se ama é a primeira vez...”

“Sou réu de amor Confesso o meu pecado Porem não me arrependo desse crime Que amar alguém e talvez não ser amado Seja o crime mais gostoso e mais sublime A confissão por certo não redime A quem quer continuar culpado E se eu for por acaso condenado Não há razão para que desanime Pelo contrário, altivo, embora fique Meu coração partido em mil pedaços Eu quero que a justiça se pratique Sou réu de amor e julgo-me indefeso! Pela justiça, entrego-me a teus braços Pois eternamente quero ficar preso...”

“Angústia Há uma estranha beleza na noite ! Há uma estranha beleza ! Oh, a transcendente poesia que verso algum traduz... A via-láctea, inteiramente acesa parece a fotografia de um tufão de luz ! - Quem seria, quem seria que pregou lá no céu aquela imensa cruz? Que infinita serenidade... Que infinita serenidade misteriosa nesse infinito azul dos céus e em tudo mais: nos telhados, nas ruas, na cidade... ( Só os gatos gritam na noite silenciosa sensualíssimos ais !) Meu Deus, que noite calma... E aquela trepadeira feminina e ligeira veio abrir bem na minha janela uma flor - como uma boca rubra e bela que não terei... - E ainda sinto nos lábios um travo nauseante do amor que faz bem pouco, há apenas um instante, paguei... E o céu azul assim... E essa serenidade! Silêncio- A noite, o luar ... Tão claro o luar lá fora... Juraria que há alguém, não sei onde que chora... Oh, a angústia invencível que me prostra invade e me devorar ...”

“Assim... Assim foi nosso amor... um sonho que viveu de um sonho, e despertou na realidade um dia... Um pouco de quimera ao léu da fantasia... Um flor que brotou e num botão morreu... Embora sendo nosso, este amor foi só meu, porque o teu, não foi mais que pura hipocrisia, - no fundo, há muito tempo, a minha alma sentia este fim que o destino afinal já lhe deu... Não podes, bem o sei - sendo mulher como és, saber quanto sofri, vendo esta flor desfeita e as pétalas no chão, pisadas por teus pés... Que importa ? Hás de sofrer mais tarde - a vida é assim... Esse mesmo sorrir que agora te deleita é o mesmo que depois há de amargar teu fim !... (Coletânea - "Meus Sonetos de Amor " 1ª Edição, 1961)”

“Noturno nº2 Estás no pensamento, fixa, presa, como a estrela no céu, como a nudez da beleza sob um véu... ... ... ... ... ... Estás no meu pensamento como o som na corda distendida como, na bússola, o norte, como a esperança, na vida, como na vida, a Morte...”

“NÃO DESPERDICES A VIDA Não te esqueças que a vida é um momento que voa um efêmero instante de beleza e alento; vive pois sem temor e com desprendimento o que ela te ofertar, sem maldize-la à-toa! E' uma nuvem que muda aos caprichos do vento! Se hoje a perdes... O tempo nunca te perdoa! Vida! Repara bem como a palavra soa! Não temas pronunciá-la com deslumbramento! Há alguém, não sei quem é, mas disto estou seguro, que nos há de intimar num remoto futuro a dar contas da vida que um dia ganhamos... E após tal julgamento estranho, com certeza havemos de sofrer e pagar, se em defesa não der-mos as razões porque a desperdiçamos...”

“PARADOXO A dor que abate, e punge, e nos tortura, que julgamos às vezes não ter cura e o destino nos deu e nos impôs, é pequenina, é bem menor, e até já não é dor talvez, dor já não é dividida por dois. A alegria que às vezes num segundo nos dá desejos de abraçar o mundo, e nos põe tristes, sem querer, depois, aumenta, cresce, e bem maior se faz, já não é alegria, é muito mais dividida por dois. Estranha essa aritmética da vida, nem parece ciência, parece arte; compreendo a dor menor, se dividida, não entendo é aumentar nossa alegria se essa mesma alegria se reparte.”

“Hoje estou triste Amor... Hoje estou triste... Nesses dias a vida de repente se reduz a um punhado de inúteis fantasias... ... Sou uma procissão só de homens nus... Olho as mãos, minhas pobres mãos vazias sem esperas, sem dádivas, sem luz, que hão semear vagas melancolias que ninguém vai colher, mas que compus... Amor, estou cansado, e amargo, e só... Estou triste mais triste e pobre do que Jó, - por que tentar um gesto? E para quê? Dê-me, por Deus, um trago de esperança... Fale-me, como se fala a uma criança do amor, do mar, das aves... de você! ("O Poder da Flor" - 1969)”

“São muitos os momentos que gostaria de te-lo comigo. Mas só venha, quando sua vinda significar sua felicidade.”

“Como chamar-te amigo... se um dia chamei-te amor?”

“Eu hoje acordei triste, - há certos dias em que sinto esta mesma sensação... E não sei explicar, qual a razão porque as mãos com que escrevo estão tão frias... E pergunto a mim mesmo: - tu não rias ainda ontem tão feliz... diz-me então por que sentes pulsar teu coração destoando das humanas alegrias?... E, nem eu sei dizer por que estou triste... Quem me olha não calcula com certeza, o imenso caos que no meu peito existe... A tristeza que eu sinto ninguém vê... - E a maior das tristezas é a tristeza que a gente sente sem saber por quê!...”

“" Quantos anos!...Meu Deus!...È esquisita esta vida...Depois que a nossa estrada em duas foi partida em uma novamente, o mundo as quis juntar...Mas de nada serviu...De que serviu nos vermos, se o presente tornou nossos sonhos ermos, se não podes me amar!...se não posso te amar..."”

“Amor... e Morte... O amor é como a morte ato banal de todo dia... Emoção forte de tristeza ou de alegria, ele sempre nos surpreende, e a ele nunca nos acostumamos talvez... O amor é como a morte: quando amamos é sempre a primeira vez.”

“Quando chegares... Não sei se voltarás sei que te espero. Chegues quando chegares, ainda estarei de pé, mesmo sem dia, mesmo que seja noite, ainda estarei de pé. A gente sempre fica acordado nessa agonia, à espera de um amor que acabou sendo fé... Chegues quando chegares, se houver tempo, colheremos ainda frutos, como ontem, a sós; se for tarde demais, nos deitaremos à sombra e perguntaremos por nós...”

“Manhã para se feliz Esta é uma manhã para ser feliz em um lugar, de algum modo, é uma manhã para ser feliz... Esta é uma manhã para dois, para dois juntos abraçados e tontos, num remoinho não como nós, eu aqui, diante do sol, das árvores, de tudo envergonhado porque estou sozinho... Esta é uma manhã que me fala de ti, nas nuvens, na transparência do ar, neste azul do céu, imaculado, na beleza das coisas tocadas de sonho e imaturidade... Uma manhã de festa para ser feliz de verdade! Esta é uma manhã para te Ter ao meu lado... Quando Deus fez uma manhã como esta estava com certeza apaixonado...”

“Noturno Agora, à noite, fujo às vezes e aporto em algum bar Como antigamente. Marinheiro do amor, de porto em porto, a vida como um navio, de mar em mar... Pensei que tinha lançado ancora, que plantara raízes, que não partiria mais. E de repente, desarvoraste meu destino, e te foste - volto a ser o antigo marinheiro - e sozinho, preciso embebedar-me, agora num navio encalhado, sem mar...”

“Noturno n.º 1 Pela madrugada o rádio põe em surdina um fundo musical de filme em meu desespero. E a serenidade da noite, impassível, com sua felicidade de luar e estrelas me faz mal, parece afrontar meu desejo impossível e ainda me torna mais triste, mais sentimental... Você está em todas as formas do pensamento E no pensamento que conforma todas as coisas... Em vão tento fugir com a música, tento evadir-me com a noite, em vão! Você é a música, a noite, você é tudo! É a própria forma e o conteúdo Da minha solidão...”

“Você, quando traz os seus olhos para encher de alegria e encantamento a tristeza das minhas pupilas, parece a imagem de um céu refletida nas águas silenciosas de duas lagoas tranqüilas... Você é como um céu que acendesse dois raios nos meus olhos Parece que está ali no fundo da lagoa tão perto, e, entretanto, como está longe! Às vezes, fico pensando depois que você se vai (e deixa nos meus olhos as sete cores da saudade) tão depressa como se eu nem a visse: - para que haveria de servir meus olhos para que? se você não existisse?!”

“A qualquer de nós é dado ser baiano, bem ou mal, pois a Bahia é um estado de espírito, nacional ! Só por milagre eu poria numa quadrinha somente a beleza da Bahia sua terra e sua gente. Tem tal encanto a Bahia, tais magias ela tem, que quem a conhece um dia fica baiano também. Bahia de hoje, como ontem, santeira e crente até o fim: - do Senhor dos Navegantes do Senhor do Bonfim. Bahia dos tabuleiros das baianas, das babás, das velhas Sés, dos mosteiros, dos telhados coloniais. Bahia de mil petiscos: caruru e mungunzá, caju, cachaça, mariscos, acarajé, vatapá. Dos quitutes e quindins, das festas e foguetões, dos santos e querubins levados nas procissões. Bahia sempre gostosa, mais doce que velho vinho, que ainda resiste, famosa, no Largo do Pelourinho. Bahia de D. João do Visconde de Cairu: - moleques de pé no chão escravos de peito nu. Do Brasil engatinhando, subindo pelas ladeiras, dos sobradões modorrando sobre a algazarra das feiras. Das cadeiras de arruar, das carruagens, dos nobres, dos ouros em cada altar, das pratarias, dos cobres. Bahia da liberdade, de Castro Alves, seu condor, onde a palavra saudade é negra! - tem outra cor! Bahia da inteligência, de suas glórias ciosa: da cultura, da eloqüência, Bahia de Ruy Barbosa. Bahia da independência, contra a opressão e o esbulho, da revolta da violência, Bahia do 2 de julho ! Com o leite branco das pretas tornaste a pátria viril, e hoje flui das tuas tetas o "ouro negro" do Brasil. Bahia, velha Bahia... Bahia nova também: patrimônio de poesia que a pátria guarda tão bem. Bahia dos meus amores, de trovadores aos mil, de violeiros, cantadores: "romanceiro" do Brasil! A trova ja nasce feita, e rima até com poesia se a Bahia é a Musa eleita, se a inspiração é a Bahia! Bahia dos doces ventos que sopram velas no mar, dos coqueirais sonolentos de curvas palmas pelo ar Qualquer coisa da Bahia todo brasileiro tem, se até o Brasil, certo dia, nasceu baiano também! "A Bahia é a boa terra", repito nos versos meus. e a voz do povo não erra - sua voz é a voz de Deus! Ladeiras, praias, coqueiros, igrejas, lendas, poesia, - Cais do Mercado: saveiros . . . - Natal da Pátria: Bahia!”

“Capricho da memória: de tantos momentos em que te vejo e em que no meu pensamento tua imagem se insinua, havia de fixar-te, naquele íntimo instante em que mais te desejo: inteiramente nua!”

“Ás vezes ,quando me encontro no espelho, é que vejo em meus olhos tua ausência, e percebo o quanto a tua falta me faz mal... Lembras-te? não nos contentávamos em nos saber juntos. Queríamos que alguém comprovasse e como que nos convencesse de que era tudo real. E o espelho era a nossa única testemunha afinal.”

“Bem sei que estou pagando caro,em sofrimento, a alegria que colhi. Mas valeu. Felizes os que ainda tem a lembrança do sol quando chega a invernia. E porque o conheceram, e o sabem além das nuvens, ainda sonham e esperam por um novo dia.”

“Por que depois se lastimar? É preferível amar e arrepender-se, que se arrepender te não amar.”

“A verdade é que eu nada enxergava até que encontrei teus olhos... Ah! meu amor se me deixares agora : ficarei cego...”

“30- SEM CORAÇÃO Que eu não tenho coração não és tu, sou eu que digo... como hei de ter coração se tu o levas contigo?”

“Tanta coisa me deste, e eu nada te pedi. (Qual de nós foi mais criança?) Poderias, pois, levar tudo, como fizeste... Que direito teria eu para esperar que deixasses alguma coisa, além da lembrança?”

“" Último Pedido " Vida, que tanto me deste e que eu, desajeitado ou louco, por tédio, por orgulho ou por cansaço quebrei, gastei, perdi... Bem sei que não tenho direito a nada esperar de ti, - entretanto, ouve-me ainda, como se ouvisses o último pedido de um condenado, sem te importares se te maldigo: - arranja-me um outro amor, maior que aquele, e pior que aquele até, bem pior que aquele! Seja este o meu castigo!”

“Eu sei bem por que sofro e o que eu almejo, minto afirmando que não sei porquê, - falta uma boca para o meu desejo, falta um corpo que eu quero e que não vejo, Falta, por que não confessar?... Você!”

“Fique eu só, um só momento, e logo me esgueiro como um assaltante ou um proibido amante para encontrar-te no pensamento...”

“Sim, teu amor era fútil... - Que importa se me iludia? Sem ele, entretanto, sou um inútil cada vez mais, noite e dia...”

“Se quisesses voltar, não te receberia... E por estranho que pareça, não te receberia porque te quero ainda...”

“E porque eu te via até de olhos fechados , meus olhos abertos não percebiam o que fazias de mim...”

“Ah! o sofrimento de que coisas é capaz ... tu me feriste tanto, e tanto, e tanto, que agora se voltasses, te admirarias de ver como o meu coração não te conhece mais.”

“Dou a impressão, como toda gente, de que estou me dirigindo pra algum lugar entretanto, onde quer que eu me encontre, meu destino é você.”

“Sempre que te encontro é pra sempre. Sempre que me afasto é pra nunca. e já que nunca mais te encontro ... é pra sempre.”

“Tão grande este amor, entretanto frágil ... um tênue sopro de vento o derrubou, e eis-nos infelizes... tão depressa cresceu, que não teve tempo sequer de criar raízez.”

“Livres nos encontramos , e algo acima de nós nos fez um do outro e nos escravizou... Agora, livres novamente somos dois pássaros que já não sabem voar fora da gaiola...”

“Não fomos nós que nos despedimos. Foi a vida que agora se interpôs, como ontem nos uniu. Que fazer? nas suas mãos ja estava escrito o nosso destino.”

“Depois que te foste sou como um cais vazio. Faltam bandeiras , faltam apitos , faltam amarras, Falta o navio.”

“Eu podia morrer todos os dias que não te vejo.”

“A gente sabe que é amor,quando de repente encontra razões para perdoar o que nunca se perdoou ,quando os mais duros pensamentos são palavras de ternura... fora da boca -e a gente sente,sente mas não pensa... Que o diga meu coração , que deseja ofender-te e transforma em poesia a minha mágoa imensa.”

“Em vão tento vingar em outras o amor perdido. Só consigo ir multiplicando tua falta.”

“No fundo , não acredito que nos despedimos. Apenas nos afastamos um do outro por algum tempo, para darmos ao destino a alegria de nos reencontrar.”

“Mereço tudo. Tinha que acontecer. Curvei-me tanto a este amor que passaste por cima sobranceira e acabaste por nem me perceber...”

“Agora já frio o coração (mas a alma, entretanto, ainda ferida) resta-me a amarga e silenciosa convicção, de só tão tarde ter percebido que nem sequer existi em tua vida.”

“Antes eu conseguia juntar os pedaços e voltar a ser eu. Impossivel agora. Como conseguir reconstruir-me se me falta você??”

“Ateu do amor tu me converteste... agora temo te ver, porque não creio em milagres.”

“E afinal há uma sutil diferença em nosso amor, (ninguém o diz) tu...queres ser feliz, eu, quero te fazer feliz!!!!!”

“Talvez seja o tempo...a vida...a idade... mas a gente vai aprendendo a renunciar a tanto que se quis... A verdade é que me acomodei de tal modo na minha infelicidade, que quase que sou feliz...”

“Chove em minha solidão , este vapor que sobe do chão é ainda teu calor.”

“Terias razão ,afinal pra não acreditar na grandeza do meu amor, se eu fosse capaz de traduzi-lo em palavras.”

“Não é apenas só que estou me sentindo É muito pior: - Estou me sentindo sem você.”

“ROSA... ESPINHO Pago a impaciência desta paixão ansiosa por te querer em meu caminho.. quis colher a rosa feriu-me o espinho.”

“Sim, tive amantes e amadas, fui escravo, fui senhor. Mas só agora que te encontro tenho amante e amada num mesmo amor.”

“Parece coisa de louco Como explicar na verdade Que o amor, que durou tão pouco Me doa uma eternidade”

“A verdade é que me acomodei de tal modo em minha infelicidade, que quase sou feliz.”

“Amo-te na alegria suprema e indivisível, de humilhar-me aos teus pés o tanto quanto possível.”

“Trovas De Ciúme "Dosado", o ciúme é tempero que à afeição da mais sabor... Mas, levado ao exagero, é o pior veneno do amor... Cão de guarda, ameaçador, a rosnar, furioso e cego eis afinal, meu amor, este ciúme que carrego... Do amor e da desconfiança infeliz casal sem lar, nasceu o ciúme, - essa criança tão difícil de educar... Perigoso, onipotente, verdadeiro ditador... o ciúme é um cego, doente, ou um doente, cego de amor? Eis como o ciúme defino: mal que faz mal sem alarde corte de alma, muito fino, que não se vê... mas como arde! O ciúme, desajustado, por louco amor concebido, era uma amante, (coitado) a padecer... de marido!"”

“Ser mãe... Quando todos te condenem quando ninguém te escutar, ela te escuta e perdoa, pois ser mãe é perdoar! Quando todos te abandonam e ninguém te queira ver, ela te segue e procura pois ser mãe é compreender! Quando todos te negarem um pão, um beijo, um olhar, ela te ampara e acarinha pois ser mãe sempre é se dar!”

“Falta de Ar Há dias que posso passar sem sol, sem luz, sem pão, sem tudo enfim... ( Tenho até a impressão de que não preciso de nada... ... nem mesmo de mim...) Mas há dias, amor... ( e parece mentira) - nem eu sei explicar o porquê de tão grande aflição - em que não posso passar sem Você um segundo que seja! - de repente preciso encontrá-la, é preciso que a veja - - Você é o ar com que respira meu coração !”

“A BICICLETA Me lembro, me lembro foi depois do jantar, meu avô me chamou, tinha um riso na cara, um riso de festa: - Guilherme, vou tapar seus olhos, venha cá. Os tios, os primos, os irmãos, na grande mesa redonda ficaram rindo baixinho, estou ouvindo, estou ouvindo: - Abre os olhos, Guilherme! Estava na sala de jantar, junto da porta do corredor, como uma santa irradiando, num altar, como uma coroa na cabeça de um rei, a bicicleta novinha, com lanterna, campainha, lustroso selim de couro, tudo. Me lembrei hoje da minha bicicleta quando chegou a minha geladeira. Mas faltou qualquer coisa à minha alegria, talvez a mesa redonda, os tios, os primos rindo baixinho, – abre os olhos, Guilherme! Oh! Faltou qualquer coisa à minha alegria!”

“Carta a um amor impossível Recebi tua carta, - e ainda sob o peso da emoção que me trouxe, eu te escrevo, surpreso, reavivando na minha lembrança esquecida certos traços sem cor de uma história perdida: - falo dos poucos dias que passamos juntos. Tão longe agora estas, quantos belos assuntos a que eu não quis, nem soube mesmo dar valor, relembras com um estranho e desvelado amor. Tua carta é tão doce, e tão cheia de cores que, dir-se-ia a escrever com o mel que há nas flores, sobre o azul de um papel tão azul, que o papel faz a gente pensar num pedaço de céu! Impregnado nas folhas chegou até mim, um perfume sutil e agreste de jasmim e um pouco do ar sadio e puro de montanha! Estranha a tua carta, inesperada e estranha! Deixas nas minhas mãos a tua alma confiante, ante a revelação desse amor deslumbrante e abres teu coração, num gesto de ansiedade, sob a opressão cruel de uma imensa saudade. Dizes que só por mim tu vives, - que a tristeza é a companheira fiel que tens por toda parte, e me falas assim com tamanha franqueza que eu nem sei que dizer receando magoar-te! Não compreendo esse amor que revelas por mim nem mereço a ternura e o enlevo sem fim de um só trecho sequer de tudo o que escreveste, - por exemplo, - de um trecho belo e bom, como este: "Teu olhar é o meu sol! Vivo da sua luz! - e mesmo que esse amor seja como uma cruz eu o levarei comigo em meu itinerário! E o bendirei na dor ascendendo ao Calvário! Sem ele não existo; e sem ti, meu destino será vazio, assim como o bronze de um sino que ficou mutilado e emudeceu seus sons na orquestra matinal dos outros carrilhões! Quero ser tua sombra até, - e quando tudo te abandonar na vida, e o frio, e quedo, e mudo, encerrarem teu corpo em paz sob um lajedo, eu ficarei contigo ao teu lado, sem medo, e sozinha e sem medo eu descerei contigo oh! Meu único amor! Oh! Meu querido amigo! - para que os nossos corpos juntos, abraçados, fiquem na mesma terra em terra transformados!" Escreves tudo assim, - e eu nem sei que te diga nesta amarga resposta, oh! Minha pobre amiga! Tarde, tarde demais... Bem me arrependo agora do amor que te inspirei, daquele amor de outrora que eu julgava um brinquedo a mais em minha vida e a quem davas tua alma inteira e irrefletida... Releio a tua carta, e confesso que sinto o ter-te que falar sobre esse amor extinto, um prelúdio de amor que ficou sem enredo e que só tu tocaste em surdina, em segredo... Dizes que o que eu mandar, farás... e que és tão minha que mesmo que não te ame e que fiques sozinha bastará para ti a lembrança feliz dos dias de ilusão em que nunca te quis! E escreves, continuando essa carta que eu leio com uma vontade louca de parar no meio: "Minha vontade é a tua! E meu destino enredo no teu!... És o meu Deus! Teu desejo é o meu credo! Creio na tua força e no teu pensamento, e nem um só segundo e nem um só momento deixarei de seguir-te aonde quer que tu fores, seja a estrada coberta de espinhos ou flores, te aureole a fronte a glória e te sirva a riqueza ou vivas no abandono e sofras na pobreza! Serei outra Eleonora Duse, e te amarei com um amor infinito, sem razão nem lei. Tu serás o meu Poeta imortal, - meu Senhor, a quem entregarei minha alma e o meu amor! Creio na tua força e no teu pensamento! - faço dela um arrimo, e tenho nele o alento da única razão que dirige meus atos; - é a lógica fatal das cousas e dos fatos! Orgulho-me de ser a matéria plasmável onde o teu gênio inquieto, e nervoso, e insaciável, há de esculpir uma obra à tua semelhança! Junto a ti sou feliz e me sinto criança curiosa de te ouvir, fascinada e atraída pela tua palavra alegre e colorida! E se falas da vida ou se o mundo desvendas os assuntos ressoam na alma como lendas e tudo é novo e é belo, e tudo prende e atrai, de um simples botão que se abre a um pingo d'água que caí. Há em tudo uma alma nova! Há em tudo um novo encanto! Tantas vezes te ouvi! E sempre o mesmo espanto quando tu me dizias, que era tarde, era a hora em que eu ia dormir em que te ias embora... Muitas vezes, deitada, - eu rezava baixinho uma prece que fiz só para o meu carinho: com meus beijos de amor matarei tua sede, com os meus cabelos tecerei a rede onde adormecerás feliz, imaginado que é a noite que te envolve e te embala cantando; formarei com os meus braços o ninho amoroso onde terás na volta o almejado repouso; minhas mãos te darão o mais terno carinho e julgarás que é o vento a soprar de mansinho sussurrando canções e desfeito em desvelos a desmanchar de leve os teus claros cabelos! No meu seio, - que a uma onda talvez se pareça, recostarei feliz, enfim, tua cabeça, e nada, nenhum ruído há de te perturbar! - meu próprio coração mais baixo há de pulsar... Quando o sol castigar as frondes e as raízes com o meu corpo farei a sombra que precises, e se o inverno chegar, ou se sentir frio, em mim hás de achar todo o calor do estio! Não te rias, - bem sei que te digo tolices, mas ah! Se compreendesses tudo, ou se sentisses a alegria que sinto ao te falar assim, talvez que não te risses, meu amor, de mim... Isto tudo, - é obra apenas da fatalidade, - quando o amor é uma doença e é uma febre a saudade." Tua carta é uma frase inteira de ternura, como uma renda fina, cuja tessitura trai a mão delicada e a alma de quem a fez Ela é bem a expressão da mulher, que uma vez... (mas não, não recordemos estas cousas mais, - para o teu bem, deixemos o passado em paz se o não posso trazer num augúrio feliz para a prolongação de um sonho que desfiz...) Tua carta é o reflexo da tua beleza, e há no seu ofertório a singela pureza desse amor que te empolga e te invade e domina! (Uma alma de mulher num corpo de menina!) Reli-a muito, a sós... - Mais adiante tu dizes, com esse místico dom das criaturas felizes: "Amo, para a alegria suprema e indizível de humilhar-me aos teus pés tanto quanto possível, e viverei feliz, como a poeira da estrada se erguer-me ao teu passar, numa nuvem dourada cheia de sol e luz, - nessa glória fugaz de acompanhar-te os passos aonde quer que vás! Não importa que eu role depois no caminho, não importa que eu fique abandonada e só, - quem nasceu para espinho há de ser sempre espinho!... - quem nasceu para pó, há de sempre ser pó!" Faz-me mal tua carta, muito mal... Receio pelo amor infeliz que abrigaste em teu seio, e uma angústia mortal me oprime e me castiga, deixa que te confesse, oh! Minha pobre amiga! Não pensei... Não pensei que te afeiçoasses tanto, nem desejava ver a tristeza do pranto ensombrecer teus olhos... Quando tu partiste, não compreendia bem por que ficaste triste nem quis acreditar no que estavas sentindo... Hoje, - hoje eu descubro que o teu sonho lindo era mais do que um sonho, - era mesmo, em verdade uma grande esperança de felicidade! Me perdoarás, no entanto... ah! Não fosses tão boa! E eu insisto de joelhos a teus pés: - perdoa! Se eu soubesse, ou se ao menos eu adivinhasse o que não pude ver além de tua face e o que não soube ler velado em teu olhar, não teria deixado esse amor te empolgar... Perdoa o involuntário mal que te causei! A carta que escreveste, e há bem pouco guardei, um grande mal também causou-me sem querer: - é bem rude e bem triste a gente perceber que encontrou seu ideal, - o seu ideal mais belo, - e o destruir, tal como eu, que agora o desmantelo! É doloroso a gente em mil anos sonhá-lo e inesperadamente ter que abandoná-lo! Se algum amor eu quis, esse era igual ao teu que tudo me ofertou e nada recebeu; ingênuo e puro amor, simples, sem artifícios, capaz como bem dizes "de mil sacrifícios, e de mil concessões, chorando muito embora, só para ver feliz o ente que quer e adora!" E pensar que isso tudo que tu me ofereces: — teu raro e imenso amor, teus beijos, tuas preces, a tua alma de criança ainda em primeiro anseio; e o teu corpo, onde a forma ondulante do seio não atingiu sequer seu máximo esplendor; tua boca, ainda pura aos contatos do amor; - e dizer que isso tudo, isso tudo afinal que era o meu velho sonho e o meu maior ideal, abandono, desprezo, renuncio e largo com um gesto vil como este, indiferente e amargo! Enfim, já estás vingada... Porque ainda és criança há de este falso amor te ficar na lembrança como uma experiência... (a primeira vencida das muitas que talvez ainda encontres na vida... ) E um dia então... - quem sabe se não será breve? - descobrirás na vida aquele amor que deve transformar teu destino e realizar teu sonho... Antevendo esse dia de festa, risonho, comporei, como um véu de noiva, para as bodas, a mais bela poesia, a mais bela de todas... (... Recebendo-a, dirás, esquecida e contente: - "quem teria enviado este estranho presente?") Sé feliz, minha amiga... eu me despeço aqui... Lamento o meu destino, porque te perdi e maldigo esta carta pelo que ela diz... Não chores, - porque eu sei que ainda serás feliz... E que as lágrimas de hoje, - enxuguem-se ao calor de um verdadeiro, eterno e imorredouro amor! P. S. - Sê feliz. Amanhã tudo isto será lenda... E pede a Deus, por mim, - que eu nunca me arrependa... (do livro" Eterno Motivo" - 1943)”

“Soneto à tua volta Voltaste, meu amor... enfim voltaste! Como fez frio aqui sem teu carinho.... A flor de outrora refloresce na haste que pendia sem vida em meu caminho. Obrigado... Eu vivia tão sozinho... Que infinita alegria, e que contraste! -Volta a antiga embriaguez porque voltaste e é doce o amor, porque é mais velho o vinho! Voltaste... E dou-te logo este poema simples e humilde repetindo um tema da alma humana esgotada e envelhecida... Mil poetas outras voltas celebraram, mas, que importa? – se tantas já voltaram só tu voltaste para a minha vida... (Do livro "Eterno Motivo" " - Prêmio Raul de Leoni, da Academia Carioca de Letras - 1943)”

“Essa... Essa, que hoje se entrega aos meus braços escrava olhos tontos do amor de que aos poucos me farto, ontem... era a mulher ideal que eu procurava que enchia a minha insônia a rondar o meu quarto... Essa, que ao meu olhar parado e indiferente há pouco se despiu - divinamente nua -, já me ouviu murmurar em êxtase, fremente: - Sou teu! ... E já me disse, a delirar: - Sou tua ! Essa, que encheu meus sonhos, meus receios vãos, num tempo em que eram vãos meus sonhos, meus receios, já transbordou de vida a ânsia das minhas mãos com a beleza estonteante e morna dos seus seios ! Essa, que se vestiu... que saiu dos meus braços e se foi... - para vir, quem sabe? uma outra vez. - segui-a... e eu era a sombra dos seus próprios passos.. - amei-a... e eu era um louco quando a amei talvez... Hoje, seu corpo é um livro aberto aos meus sentidos já não guarda as surpresas de antes para mim... (Não importa se há livros muita vez relidos importa... é que afinal, todos eles têm fim... Essa, a quem julguei Ter tanta afeição sincera e hoje não enche mais a minha solidão, simboliza a mulher que sempre a gente espera... mas que chega, e se vai... como todas vão... (Do livro - Amo – 1939)”

“Os versos que te dou Ouve estes versos que te dou, eu os fiz hoje que sinto o coração contente enquanto teu amor for meu somente, eu farei versos...e serei feliz... E hei de fazê-los pela vida afora, versos de sonho e de amor, e hei depois relembrar o passado de nós dois... esse passado que começa agora... Estes versos repletos de ternura são versos meus, mas que são teus, também... Sozinha, hás de escutá-los sem ninguém que possa perturbar vossa ventura... Quando o tempo branquear os teus cabelos hás de um dia mais tarde, revivê-los nas lembranças que a vida não desfez... E ao lê-los...com saudade em tua dor... hás de rever, chorando, o nosso amor, hás de lembrar, também, de quem os fez... Se nesse tempo eu já tiver partido e outros versos quiseres, teu pedido deixa ao lado da cruz para onde eu vou... Quando lá novamente, então tu fores, pode colher do chão todas as flores, pois são os versos de amor que ainda te dou. (Do livro "Meu Céu Interior" – 1934)”

“O verbo amar Te amei: era de longe que te olhava e de longe me olhavas vagamente... Ah, quanta coisa nesse tempo a gente sente, que a alma da gente faz escrava. Te amava: como inquieto adolescente, tremendo ao te enlaçar, e te enlaçava adivinhando esse mistério ardente do mundo, em cada beijo que te dava. Te amo: e ao te amar assim vou conjugando os tempos todos desse amor, enquanto segue a vida, vivendo, e eu, vou te amando... Te amar: é mais que em verbo é a minha lei, e é por ti que o repito no meu canto: te amei, te amava, te amo e te amarei! (Do livro - Bazar de Ritmos - 1935)”

“Meu Coração Eu tenho um coração um século atrasado ainda vive a sonhar... ainda sonha, a sofrer... acredita que o mundo é um castelo encantado e, criança, vive a rir, batendo de prazer... Eu tenho um coração - um mísero coitado que um dia há de por fim, o mundo compreender... - é um poeta, um sonhador, um pobre esperançado que habita no meu peito e enche de sons meu ser... Quando tudo é matéria e é sombra - ele é uma luz ainda crê na ilusão, no amor, na fantasia sabe todos de cor os versos que compus... Deus pôs-me um coração com certeza enganado: - e é por isso talvez, que ainda faço poesia lembrando um sonhador do século passado”

“GOSTO QUANDO ME FALAS DE TI Gosto quando me falas de ti... e vou te percorrendo e vou descortinando a tua vida na paisagem sem nuvens, cenário de meus desejos [tranqüilos Gosto quando me falas de ti... e então percebo que antes mesmo de chegar, me adivinhavas, que ninguém te tocou, senão o vento que não deixa vestígios, e se vai desfeito em carícias vãs... Gosto quando me falas de ti... quando aos poucos a luz vasculha todos os cantos de sombra, e eu só te encontro e te reencontro em teus lábios, apenas pintados, maduros, mas nunca mordidos antes da minha audácia. Gosto quando me falas de ti... e muito mais adiantas em teus olhos descampados, sem emboscadas, e acenas a tua alma, sem dobras, como um lençol distendido, e descortino o teu destino, como um caminho certo, cuja primeira curva foi o nosso encontro. Gosto quando me falas de ti... porque percebo que te [desnudas como uma criança, sem maldade, e que eu cheguei justamente para acordar tua vida que se desenrola inútil como um novelo que nos cai no chão..." (Do livro "Quatro Damas" 1ª Edição, 1965)”