Valter da Rosa Borges
Biografia
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Acervo do autor
Frases de Valter da Rosa Borges
“O amor, como um chafariz, Dessedenta os bons e os vis.”
“Todo ditador é um megalomaníaco. Julga-se um Messias político. Alguns são paranóicos e enxergam inimigos em toda parte. Até os seus aliados mais próximos estão sob suspeita. Governa pelo medo que impõe às pessoas e manda eliminar quantas forem necessárias para exibir a força do seu poder. Torna-se adorado pelo povo mediante manipulação da mídia. Acusa seus opositores de inimigos do povo e se diz ameaçado por eles. Inventa atentados para punir os adversários e os classifica como inimigos da pátria. Proclama ser o pai dos pobres, mas se faz amigo dos ricos e deles se utiliza para seus propósitos. Há ditadores cultos, ignorantes, brutais, populistas, reservados, falantes. Prometem ou o que não podem ou que não querem cumprir, e culpa os adversários pela não realização do prometido. Corruptores, são cercados por uma alcateia de corruptos. E todos enriquecem à surdina ou ostensivamente. Há corruptos que têm o dom da invisibilidade e, quando descobertos, fazem o papel de vítimas. Há, porém, os corruptos debochados, que se vangloriam de sua capacidade de ilusionistas, proclamando os seus atos ilícitos como algo natural e aceitável. Os tesouros da corrupção estão a salvo do conhecimento do povo e geralmente inacessíveis à investigação da justiça. A quadrilha de governos aparentemente democráticos ou ostensivamente tirânicos está ligada a outras quadrilhas e elas permutam benefícios recíprocos. É um acordo secreto e dificilmente investigado por parte da imprensa que não foi subornada pelo tirano. As verdades oficiais não são contestadas e o povo desinformado e despolitizado acredita nelas. A corrupção, em muitos casos, é a alma do poder, notadamente na política. A sociedade apodrece moralmente e as pessoas, gradualmente, passam a não mais sentir o cheiro da podridão. Esta perda olfativa da ética faz com que elas achem natural conviver com a podridão e dela tirar o maior proveito possível. O ditador é um camaleão e sua cor depende do tipo de regime em que vive, seja democrático ou não. Por isso, o povo não percebe a diferença quando se trata de um tirano na democracia.”
“A desobediência, em certos casos, é o exercício da liberdade. Quem sempre obedece, não é livre.”
“Envelhecer é cultivar adeuses e empobrecer em cada despedida. Os afetos morrendo com os mortos. Lembrar é praticar necromancia. O que fazer de tudo o que já foi, mas fica latejando em nossa vida? É o incurável câncer da saudade: o que passou matando o ainda vivo.”
“Não se compartilha a solidão. A solidão é indivisível.”
“Toda a propaganda em prol da verdade jamais a tornou apetecível, a não ser convencionalmente. A mentira, embora publicamente combatida, continua sempre forte, vivendo na sua clandestinidade social.”
“São as mentiras convencionais que sustentam a vida social. E, para nossa tranqüilidade, acreditamos nelas, porque precisamos estar convictos de que são verdadeiras.”
“A vaidade é sempre sincera. A modéstia, nem sempre. Ninguém se finge de vaidoso. E há os que se envaidecem de sua própria vaidade.”
“A humildade é também uma forma sutil de poder. Uma pessoa externamente humilde e famosa por sua humildade se transforma, aos olhos dos outros, em um ser superior.”
“O amor é uma dádiva sem retorno.”
“Onde houver ignorantes, milagres existirão.”
“Quando alguém diz que viu Deus, falou com Ele, é o Seu enviado, por certo, alucinou ou está enganando as pessoas crédulas, que constituem a grande maioria da humanidade.”
“Somente um Deus antropomórfico e cruel se rejubilaria com o aviltamento e sofrimento voluntários das pessoas que pensam, com isso, glorificá-lo. Eis uma divina relação sadomasoquista entre um Deus vaidoso e essas criaturas ingênuas.”
“O maior castigo que Deus infligiria aos demônios seria obrigá-los a fazer eternamente o bem. É lamentável que os teólogos não tenham pensado nisso.”
“Matar ou morrer em nome de Deus é a mais perigosa de todas as psicoses coletivas da humanidade.”
“As religiões são oficinas da loucura quando produzem mártires, suicidas e assassinos.”
“As religiões são as maiores fontes de mistérios. E subsistem por causa deles.”
“As religiões transformam o ser humano em pecador, imperfeito e perdido, necessitado, portanto, de salvação. Quem nisso acredita, precisa de salvação.”
“A sabedoria é um patrimônio sem herdeiros.”
“O sábio, quanto mais sabe, mais se isola. A sua convivência com as outras pessoas é sempre superficial. Porém isso não o torna um misantropo. Pelo contrário: ele é afável com as pessoas, mas só se relaciona com elas em assuntos triviais. Embora acostumado às profundezas, ele sabe, nos momentos necessários, subir à superfície e até mesmo divertir-se com as pessoas comuns.”
“Quem anseia pelo aplauso do povo, mesmo que seja um erudito, não é um sábio. O sábio não busca a aprovação popular.”
“O povo não entende o sábio. O sábio será sempre uma gota de óleo, boiando na superfície da água plebéia.”
“O saber confere erudição. Mas só a compreensão transforma o vasto saber em sabedoria.”
“Saudade do que fiz. Saudade do que não fiz. Não sei qual delas persiste mais!”
“Pior que o amor perdido é o amor que não foi dado.”
“O louco é insuportável, porque vive perdido na liberdade total.”
“O ódio é nosso grilhão: o fantasma cultivado do que já não mais existe.”
“Não somos influenciados apenas pelas nossas ações, mas também pelos nossos sonhos. O homem é um compósito de fatos e sonhos.”
“A fé é a vontade que se fez poder. É também uma forma de perceber a realidade. Não há uma razão para a fé: ela é a sua própria razão. A fé é o recurso extraordinário do homem para resolver problemas que a razão não consegue.”
“Há uma verdade absoluta: a que cada um tem a sua própria verdade. Há pessoas, no entanto, que vivem à procura da verdade nos outros. E há outras que procuram impor sua verdade aos outros. Umas querem ser escravizadas. Outras querem escravizar. Quem precisa de senhor, tem vocação de escravo. Quem escraviza, precisa de escravos. E se precisa de escravos, é porque não alcançou a liberdade.”
“Existe a vaidade de ter, mas também a vaidade de dar e de gastar. A vaidade é a auto-satisfação que decorre da presunção de que se é admirado. A modéstia ostensiva nada mais é do que a vaidade disfarçada.”
“DOS VAIDOSOS Tudo fazem para aparecer. Ou fingem se esconder para que sejam achados.”
“Quando você sofrer, há sempre um remédio: Ou você se acostuma ou se anestesia. Não faça da dor um pretexto, castigo ou purificação. A dor é um fato e só. Merece medicação e não explicação. A dor é uma visita incômoda. Por que pensar por que ela veio? Já não basta o próprio doer? Só nos cabe em tais momentos nos livrar deste incômodo.”
“Todo o perigo da dor não é seu próprio doer: é a sua anestesia. A dor que já não se sente, nem em si e nem nos outros. A dor que perdeu a voz. A dor a que falta o espasmo. A dor que não causa espanto. A dor que não mais revolta. A dor que nos fez eunuco no amargo céu da impotência.”
“Falas tanto de tua dor. Queres ficar bom ou cultivar a dor? A dor valorizada se transforma em vício. Parece paradoxal, mas o cultivo da dor pode ser uma forma de preencher o tempo vazio. Quem tem muito o que fazer, não tem tempo disponível para dedicar-se à dor. Afinal, a dor nunca é boa companhia.”
“São as tintas dos olhos que dão as cores ao mundo. Com elas, pintamos sonhos e fatos nunca vividos. Os olhos fazem os sonhos com a matéria do visto do não-visto e do imprevisto.”
“Na infância, os olhos límpidos vêem o mundo claramente sem a catarata do tempo. A fé no visto e no sonho. A vida maior que a morte. O corpo livre do peso do vivido e não vivido, do perdido e do não gasto. Na velhice, os olhos turvos, a opacidade do mundo, a fé no que não se vê, a morte maior que a vida, recordações (e não sonhos), algumas já desbotadas ou outras reinventadas, e as sensações prazerosas, que o corpo já esqueceu.”
“O mundo é o que tecemos juntos todos os dias. Tecelões e tessitura, somos mãos e somos linhas. O mundo é carne e tecido, seres, fatos e coisas vestindo o nu existir.”
“Aonde vai quem morreu, quando o seu onde perdeu? Onde está quem não está seja aqui ou seja lá? Se o quem se fez invisível, agora é carne impossível, sem onde e quando, desfeito no nada de que foi feito.”
“A alma é feita de surpresa. Sua virtude é o inédito. A sociedade a tornou previsível e monótona.”
“Mais fiel que a nossa sombra é a nossa solidão. Jamais nos perde de vista no meio da multidão. É a nossa alma gêmea? É o nosso anjo da guarda? O xifópago invisível? Ninguém viu a solidão que nasceu quando nascemos. Em cada homem que morre, morre a gêmea solidão.”
“Só há uma lei universal: a de que existem leis e que estas variam em universos diferentes. Leis podem variar, mas sempre existem leis - esta é a lei. Porque vemos as coisas acontecerem da mesma maneira, acreditamos que elas sempre acontecerão assim para sempre. A esta nossa crença demos o nome de leis da natureza.”
“A dúvida é a ginástica da inteligência. Duvidar não é apenas negar o que existe, mas negar que o que existe seja a única coisa que existe. Negar, assim, é ampliar a visão da realidade. A dúvida que apenas nega é destrutiva. O dogma é o cansaço da razão. O homem que não duvida, cansou de crescer. A dúvida é a saúde do espirito. Duvida-se, porque se quer mais. Porque se sabe que o que se sabe é provisoriamente necessário e necessariamente provisório. Porque o saber não tem fim. E o provisório não é irreal, enquanto provisório. A dúvida é a fé de que há algo mais além do que se crê e a fé é a dúvida de que todo real é só o que conhecemos.”
“Cada vez mais se constata que a atividade psíquica não é um produto exclusivamente fisiológico. Sabe-se, experimentalmente, que a ausência da atividade onírica provoca estados psicóticos, os quais, inclusive, podem levar é morte, caso persistam por muito tempo. A importância da vida mental para o organismo ficou comprovada nesses experimentos. O homem, quando dorme, apenas muda o nível de sua atividade psíquica. Se o que ele percebe, em estado de vigília, é real, por que real seria o que ele percebe oniricamente? Qual, na verdade, a diferença entre o que passou e o sonho? A memória não prova o que aconteceu, pois o presente, agindo sobre o passado, o modifica. Só o presente, então, parece real. Mas, o presente é instantâneo e está influenciado pela memória e pelas expectativas do futuro. O sonho é o que não se tornou fato e o passado é o fato que se tornou sonho, pois a memória tem a mesma estrutura do sonho.”
“O que chamamos de real é o nosso relacionamento com os outros, a experiência comum, a vida partilhada. A essa fase de nossa mente denominamos de consciência. O sonho é, também, um tipo de consciência que não resulta inteiramente das nossas relações com o mundo exterior. A consciência vigílica nos dá o ser social. A consciência onírica nos dá um ser ina- preensível pelos padrões da consciência vígil. O que é a alucinação, senão um conteúdo onírico objetivado? O sonho não é apenas a explicação simbólica dos nossos recalques: é uma atividade autônoma da mente. Não será a loucura um sonho de que não se acorda? Um sonho com a aparência de vigília? Os hipnotizados também dão a impressão de que estar conscientes das coisas que os rodeiam. Vigília é a vida psíquica seletiva. O sonho, parece-nos, é vida psíquica total. O fluxo psíquico entre as mentes parece incessante e a vigília nada mais é do que uma interrupção desse fluxo. O nosso eu é uma perturbação desse processo psíquico total. Observou-se que o estado de plena vigília não dura mais que um minuto ou dois por hora. Assim, as nossas distrações ou "fugas" da realidade externa são mais freqüentes do que pensamos. Há pessoas que, por deficiência da censura ou controle do ego, permanece, por tempo muito longo, no mundo do sonho. A sua vida vigílica se torna, assim, um hiato no seu universo onírico. Há um universo psíquico paralelo ao universo físico. Uma forma de percepção que não recolhe seu material do mundo físico, embora manipule com os dados desse universo. Contudo, as experiências do mundo psíquico nem sempre coincidem com as do mundo físico. Há um outro eu, movimentando situações e pessoas que não conhecemos na vida vigílica.”
“Tudo parece indicar que a tendência do universo não é a manutenção do nomadismo do elétron, mas do seu aproveitamento no sistema operativo do átomo. A rigor, talvez, não existam elétrons livres na natureza, porém em trânsito de um sistema atômico para outro, na conformidade das leis de atração, que regem o microcosmo. O associacionismo parece ser a impulsão teleológica do universo. A unidade, a sua permanente meta. Uma unidade cada vez mais rica operacionalmente. Por isso, o elétron que, como unidade, tem um campo di-minuto, sente-se atraído a participar da unidade maior do átomo. Por sua vez, os átomos procuram associar-se a outros átomos, segundo as suas estruturas eletromagnéticas e afinidades químicas e, assim, sucessivamente, do átomo à molécula, da molécula à célula, numa escala cada vez mais complexa de associações, na síntese de individualidades cada vez mais estáveis, até atingir o fenômeno humano e - o que nos parece lógico - prosseguir além dele.”
“A realidade, para nós, é aquilo que percebemos ou que organizamos. As palavras e as idéias são tijolos e cimento de muitas das nossas realidades. Em verdade, o verbo se fez mundo. E, sob esse enfoque, nós somos o pai do verbo. Porque só conhecemos o relativo, jamais poderemos livrar-nos, totalmente, do antropomorfismo e do antropocentrismo.”
“O real nos parece um fluxo e no fluxo não há modelos. Daí, a eterna controvérsia dos que admitem, como Heráclito, que o fluxo ou devir é a realidade e dos que entendem, como Parmênides, que o real é imutável e o devir é aparência. Os modelos, portanto, são nossas formas perceptuais e transitórias de apreender, a cada momento, o fluxo. Assim, cada forma perceptual do fluxo só é real em relação ao percebedor no momento da percepção e só se torna aparência ou Maya se prossegue além da percepção. O real é o agora. O agora é sempre inédito. Quem vê, não precisa de palavras, pois só se fala para aqueles que não viram. E o que se diz, já não é: o presente é mais rápido que o laço da palavra. Por isso, quem fala, não vê, porque, se fala, fala do que já não vê. O eu não existe no presente: surge, quando a experiência já terminou. O eu é o passado. Cada percepção do real é única e irrepetível. Jamais saberemos o que perdemos, ja- mais repetiremos o que experimentamos. A riqueza do viver não consiste na acumulação do vivido, mas na capacidade de viver plenamente o momento que passa. Nenhuma experiência deve deixar restos ou saldos, pois eles deformam as novas percepções da realidade.”
“Real é o que existe em relação a nós. Isto não importa negar o real com o qual não nos relacionamos. O real objetivo é o real compartilhado, o chamado mundo das relações. O real subjetivo é o real privado, com as suas peculiaridades, mas possuindo, também, conteúdos do real compartilhado. O real é o físico e o psíquico, mesmo que este não se converta naquele. A realidade, como significado, é uma convenção. É possível que a realidade tenha um significado, mas não o conhecemos. Por isso, criamos modelos significativos para a realidade. O convencional, porém, só é real como forma de relações humanas. O mundo social é realidade criada pelo homem e este pode modificar o mundo que criou. Há um real independente de nós. Há um real criado para nós: é o nosso modo peculiar de perceber o real. Tudo nos leva a crer que há infinitos níveis e formas da realidade.”
“Ordem e desordem, portanto, são conceitos funcionais. Caos, para o homem, é tudo aquilo que não se ajusta aos seus padrões de ordem, a esquemas perceptuais inatos ou ad-quiridos. O caos não existe em si, mas referenciado a um dado sistema. Pensamos que a natu-reza é paradoxal, porque acreditamos na repetibilidade absoluta das coisas. Pensamos que só é verdadeiro aquilo que se repete. Se o homem permanecer durante algum tempo naquilo que ele denomina de caos, em breve descobrirá uma ordem no caos. A ordem é hábito.”
“A lógica não é o metro da realidade. É uma atividade pragmática do espirito e limitada a uma determinada área operacional. A lógica não apreende o real. Não está nas coisas, pois se constituí em mera atividade do espirito. Nem prova o real, embora demonstre que certos fatos aparentemente se comportam segundo seu modelo. Por isso, somos inclinados a admitir que os fatos que acontecem segundo a nossa lógica são reais e os que assim não se comportam são ilusões. A lógica, por outro lado, tem uma função psicológica: dá ao homem o sentimento de controle sobre os fatos. Daí o seu apego a tudo o que é lógico, pois a lógica lhe dá uma sensação de segurança e poder. A lei da causalidade se torna, assim, de importância fundamental para o homem: é a certeza de sua capacidade de controle sobre as coisas. Explicar é uma tentativa que lhe proporciona um sentimento vicário de dominar situações. Por isso, o homem é tentado a explicar tudo para se sentir senhor dos fatos.”
“Se, um dia, soubermos a verdade do que somos, o que será do que somos?”
“Falamos do que não sabemos, porque a morte nos espanta e dói a mortalidade. O que é ser imortal?”
“Procuramos Deus no cosmo. Procuramos Deus no átomo> Onde o seu esconderijo?”
“Há muitos mundos possíveis. Há muitos de nós possíveis: só esperam acontecer.”
“O sol de fim de tarde pouco aquece. Em tudo sopra uma saudade fria. Recolho os sonhos e recolho os fatos: todos serão iguais no anoitecer.”
“Se por aqui vaguei, meu corpo sabe. As células festejam meu retorno. Meus pés andam sozinhos, eles sabem onde encontrar os passos que ficaram gravados na memória das areias. Os átomos que fui, andam no mundo. Um dia, me dirão por onde estive.”
“Aquele que envelheceu, não sonha mais impossíveis. Conformado e conformista, o mundo é o seu cansaço. Ele é o que já foi e o futuro será igual. O passado que não existe habita o presente morto. Envelhecemos quando o que fomos é maior do que o que somos.”
“O futuro é o próximo ato, o próximo passo, o próximo fato. Ele existe enquanto não existe e morre logo que se torna hoje.”
“O tempo vazio. O espaço vazio. O coração vazio. Um oco que não tem fim. A solidão sem fronteiras. Um silêncio surdo-mudo é testemunha do nada.”
“Porque ainda somos cegos, tateamos deuses falsos. A bengala é falso guia. A fé devolve a visão e permite ver o mundo além do mundo trilhado pela bengala dos cegos.”
“Nascer é uma aquisição em meio à luta feroz de milhões de seres possíveis. Morrer é uma perda solitária”
“O vento sopra impetuoso, vergando a copa das árvores. As folhas caem no chão: folhas secas, folhas verdes. Por que não somente as secas?”
“Liberdade de uma folha girando solta no ar, nas circunstâncias do vento, o vento que é sem caminho embora seja caminho onde vaga o seu voar. Se o vento é que nos dirige por que, folha, nós queremos dirigir nosso voar?!”
“O espírito é um sonho que, um dia, se fez carne e pensou que era carne, até voltar a ser sonho.”
“Todo sonho é um fato que ainda falta acontecer.”
“Fatos são flutuações, o vento alisando as ondas do oceano impassível.”
“O que será do guerreiro se ninguém quiser lutar?!”
“Da janela do presente observa-se o presente com os olhos do passado. Da janela do presente observa-sse o futuro como extensão do passado. Quando somos o presente, não há futuro e passado, porque só há o presente observando o presente.”
“Sentimos a flor conforme a vemos não pelos átomos que a compõem. Quem disseca a flor, não vê a flor. É procurar o homem no cadáver.”
“Somente quando te fizeres vazio, experimentarás o Vazio. Somente quando não tiveres vontade, conhecerás a Vontade. Somente quando deixares de ser, encontrarás o Ser. Somente quando te despojares do que julgas ser teu, possuirás o que é teu. Somente quando te sentires vazio de tudo, reconquistarás a Plenitude.”
“Só somos uma vez e nunca mais: não há repetições na Natureza. Não se confunda o som com o seu eco. Os fantasmas são ecos que assombram os ouvidos sensíveis da saudade.”
“Ninguém vai chorar por você, mas pela falta que você fará, a companhia e a presença, o tempo compartilhado, os espaços preenchidos, seu ouvido disponível, sua voz consoladora. A morte destrói o corpo, não o amor que ficou, embora em dor e saudade. Lembrança é quase pessoa, vagando por toda a casa, perfume de coisas órfãs, gemendo em cada lugar.”
“Não vejo as tuas pegadas nem escuto os teus passos, pois és feito de silêncio e de invisibilidade. O real não é a medida da nossa percepção. Eu creio no que não vejo, no que não ouço, nem toco. Os sentidos me apequenam e a razão me aprisiona, o corpo me faz mortal. Tempo e espaço são o cárcere do prisioneiro ilusório. Quem crê em suas paredes, não pode ver o infinito.”
“No agora não há palavras: o que se fala, passou. A palavra é sempre eco do que não existe mais. A percepção é agora. O pensamento é depois.”
“Quem necessita de admiradores, não tem suficiente admiração por si mesmo.”
“Quem não sabe sorrir e chorar, é um ser humano incompleto.”
“Se pudéssemos prever tudo, perderíamos o prazer do inédito.”
“A arte é uma sedução que seduz o próprio sedutor.”
“A filosofia não é um modo de conhecer o mundo, mas o de nos conhecermos no mundo.”
“As pessoas morrem duas vezes: morrem no corpo e na memória dos vivos.”
“A vaidade é sempre sincera. A modéstia nem sempre.”
“O livre-pensador é visto como um perigoso inimigo do rebanho humano.”
“O mistério nasce na distância e morre na intimidade.”
“Nem sempre a velhice torna as pessoas mais suaves como acontece com os vinhos envelhecidos.”
“É perigoso alguém tornar-se um mito, pois perderá o direito de errar.”
“A ignorância é também uma das causas da tranquilidade.”
“O verdadeiro mago é quem faz de sua vida um contínuo encantamento.”
“Os dois maiores inimigos do ser humano: o fascínio do poder e a paralisia do medo.”
“A ética se imporá naturalmente, quando compreendermos que ela é indispensável à sobrevivência da sociedade.”
“O povo é um rebanho sempre a procura de um pastor. Mas, quase sempre, não sabe escolher o pastor.”
“Tecnologicamente, chegamos ao ponto em que podemos destruir-nos completamente. A natureza não sentirá a nossa falta.”
“A verdade é uma força. Mas, sempre há o perigo de a força se disfarçar em verdade.”
“A cada dia que acordamos, começa a eternidade.”
“A cada dia basta a sua própria verdade.”
“Não somos mais aqueles cujo amor imaginou a juventude eterna. Hoje, idosos, os corpos sem calor... O fogo da paixão agora hiberna. Somente o amor, essa visão interna consegue ainda ver todo o esplendor da convivência cada vez mais terna em saudades diárias a compor e recompor, história por história, as imagens dos dias consumidos a fim de preservar mútua memória. Mesmo que restem fatos esquecidos, no turbilhão da vida transitória, jamais se perderão, porque vividos.”
“Será que foi de propósito que Deus fez a vida sem propósito? Foi o homem que inventou o propósito da vida. Por isso, não pode entender que a vida é sem propósito. E sofre assim sem propósito.”
“O silêncio também é voz. É aquilo que não foi dito, porque, se dito, era pouco. O silêncio não se mede pela medida da frase. Excede qualquer semântica. Não é dicionarizável. No princípio era o verbo, mas antes dele o silêncio, anterior ao princípio.”
“Todos vigiam e são vigiados. Eis o que é segurança. E a liberdade?”
“A brincadeira nos devolve a pureza original. O paraíso é o lúdico. A inocência perdida nos condenou ao trabalho. Só o ócio primordial é a redenção do homem que não soube ficar criança.”
“Uma estátua, por mais bela, não se equipara à pessoa mais humilde. Uma simples planta no jardim é mais formosa do que qualquer natureza morta.”
“Os átomos se fizeram homens para se conhecerem a si mesmos e tudo o mais que fizeram. Como homens, pensam que Deus foi o criador de tudo. Os átomos enlouqueceram?”
“Cansado de eternidade, Deus fez-se tempo e espaço, e explodiu em átomos e galáxias no infinito de si mesmo.”
“O que não serve para nós apenas não nos serve. Quem percebe a totalidade sabe que nada é inútil, e que as coisas existem sem explicação. Se tudo tem um sentido, qual o sentido do homem, da flor, da pulga, da estrela?”
“O sonho é o nosso modo de caminhar sem o corpo. O corpo pouco nos leva: somos nós que o arrastamos. Queremos ver mais que os olhos, ouvir mais que os ouvidos, e exercer a onipresença, em qualquer lugar do mundo.”
“Misto de sonho e carne, somos carne que sonha ou sonho que se fez carne? O sono é que nos divide em dois seres paralelos. Qual deles é o ser real?”
“Tortura tecnológica para manter quase vivo o que quase morto está.”
“Escreve-se por escrever, para brincar com palavras e inventar absurdos - importa que sejam belos ou arrepiem a lógica - e frases que sejam coisas diferentes das comuns. Inventar novas palavras de semântica imprevista. Escrever como quem brinca de desarrumar as coisas e arrumá-las de outro jeito. Palavras e só palavras. Neste caos fraseológico que mundo pode eclodir?”
“Quarto de hotel é promíscuo. Por mais que seja limpo por zelosas faxineiras, permanece sempre o cisco de emoções e pensamentos de seus hóspedes fugazes, nos lençóis, nos travesseiros, nas fronhas, mesmo lavados, diligentemente trocados, no chão e no guarda-roupa, na cama e nas cadeiras. Nos cabides pendurados problemas ali deixados e também mágoas dormidas fedendo nos cobertores.”
“A cidade cresce para cima: faz fronteira com o nada, porque nada existe além do último andar. A cidade cresce para cima, em edifícios cada vez mais altos: aumenta seus subúrbios verticais.”
“O escritor é um médium: vive vidas não vividas, personagens que não foi, memórias alienígenas, lugares que nunca andou, dores e amores vários, o que nunca sofreu ou amou, tudo escorrendo do braço para a mão que psicografa o que jamais escreveu ou que sentiu ou pensou. Criação ou adoção o que escreveu como seu, filho que nunca gerou?”
“Odeia-se aquele que é livre, porque perturba o descanso das pessoas rotineiras. O louco é insuportável, porque vive perdido na liberdade total.”
“Escrever é uma forma de deixar a nossa alma preservada nas palavras, no corpo de cada livro, fazendo parte da mente das pessoas que nos lêem. Quem escreve, clona a alma.”
“A solidão procurada. A solidão consentida. A solidão imposta e aberta como ferida. A solidão com tantos. A solidão sem ninguém . A solidão, companhia para o mal e para o bem. A solidão que estimula. A solidão que amofina. A solidão construção. A solidão só ruína.”
“Saudade do que fiz. Saudade do que não fiz. Não sei qual delas dói mais.”
“Somos uma das infinitas versões de Deus. Embora diferentes, todos somos um. Tudo é clone de Deus.”
“O vazio, alma da forma. O vazio é qualquer forma. A alma é o vazio, que cria todas as formas.”
“Só os mortos não mudam. deserdados do futuro, exilados do presente, são imagens estéreis, que não mais se reproduzem. Só os vivos são férteis, gerando suas imagens constantemente no mundo.”
“Se afago a madeira, afago a árvore. A floresta persiste em cada móvel. Mesas, cadeiras e armários são árvores amnésicas.”
“A carne é sonho transitório. Quando dormimos, voltamos à nossa essência onírica. Quando morrermos, seremos o sonho definitivo que, um dia, foi homem, que pensava ser real.”
“Não chore as flores que murcharam: elas já cumpriram seu papel. Reverencie as flores que florescem, porque, na sua essência, elas são as mesmas flores que morreram.”
“Qual a medida da alma? Em que espaço e em que tempo a alma é encontrada? Como morre o que não é capaz de ser mensurado? Como nasce o que não é feito de matéria e tempo? Mas, o que faz esse corpo pensar que é alma imortal?”
“Há algo imóvel, que move tudo. Há o vazio em todas as coisas. Há o silêncio por trás de todos os ruídos. Há uma essência comum a todos os seres. Há o imortal escondido em todas as mortes. Há o eterno disfarçado em todas as aparências do transitório.”
“O acaso é um deus imprevisível. Mas Deus é previsível?”
“Com qual medida medimos o homem que tudo mede? Que metro que não o homem pode medir o além do humano? Que metro pode medir o infinito e a eternidade?”
“Procuramos Deus no Cosmos. Procuramos Deus no átomo. Onde o seu esconderijo?”
“O que é o vento senão o vazio em movimento? O que o espaço senão o vazio parado?”
“Pior que o amor perdido é o amor que não foi dado e tudo o que não foi gasto no tempo que era devido.”
“Enquanto penso, fico pênsil entre o sonho e o real.”
“Não me dói o que perdi, pois tive o prazer de ter. Dói-me tudo o que não tive e o quanto não pude ser.”
“O mundo é feito por nós. Nós somos os nós do mundo e em tudo estamos atados. O eu sem nós não existe. A morte é o eu desatado.”
“A quem devo invocar se já não creio em tudo o que foi dito e revelado? A dúvida é forte como a fé e se sustenta no seu próprio vácuo. E nem creio sequer em minha dúvida, porque tudo o que é crido é construído dos nossos medos e fragilidades. Deus não é a dor justificada, o prêmio e o castigo além do túmulo, mas tudo o que não pode ser descrito nem humanamente compreendido. Ser humano que sou, não sei que humano possa exceder à sua condição e revelar mistérios que não passam de criações da carne atormentada.”
“Qual o peso e o tamanho da saudade que sentimos? Que distância é a saudade entre as pessoas ausentes? Qual o tempo da saudade para doer na perda das afeições mais queridas? Qual o peso da saudade no coração solitário?”
“As armas não garantem a paz. O poder enlouquecido também mata os poderosos. A paz depois da guerra é o silêncio dos mortos e o espanto mudo dos vivos.”
“Um dia, todos seremos um dos bilhões de esquecidos, que tinham a ilusão de continuarem lembrados.”
“Como duas partículas no universo quântico, um dia, nos encontramos pelos acasos do amor. Embora nos separemos e nunca mais nos vejamos, estaremos sempre em contato em qualquer lugar do infinito. Essa não-localidade (o amor também é quântico) une todas as partículas e corações no universo. O espaço dos que se amam ocupa todo o infinito.”
“A visão é maior que os olhos: o real é mais do que o visto. Os olhos nos prendem à vida, que é nosso modo de ver. Na morte, a visão são olhos de ver em outro lugar.”
“Um dia, morreremos (ou acordaremos?). E, se acordarmos, o que seremos?”
“O que é um borrão senão uma forma sem nome. Não tem certidão geométrica. É uma forma sem forma. Um transgressor chamado amorfo. Mas, acontece que a vida é cheia de borrões e não dos entes geométricos, que o homem inventou.”
“Um ateu diria que Deus fez esse mundo tão mal feito, tão cheio de sofrimentos que ficou envergonhado e até hoje vive escondido.”
“Inventamos a linha reta e queremos que nossa vida seja uma linha reta. A Vida não é geometria, mas uma farra de formas. Há coisa mais monótona do que o corredor? Ele é ótimo para as correntes de ar e os fantasmas. A vida é um labirinto cheio de passos e de impasses. A vida é o caos que o homem tenta inutilmente disciplinar. Só o caos é criativo. A ordem produz rotinas e é repressora do inédito. Quando o caos se cansa, vira ordem.”
“O homem inventou a igualdade. Na natureza tudo é desigual. A perfeição é invenção geométrica. A ordem do mundo é o caos mutante. A criação é sempre nova: só acontece uma vez. Se você aprender a ver nunca mais dirá que o mundo é o mesmo o tempo todo.”
“Os livros estão extinguindo as árvores. Temos livros de mais e árvores de menos.”
“Por causa dos nossos olhos O mundo é cheio de cores. E por causa dos ouvidos O mundo é cheio de sons. Se as pessoas, de repente, ficassem cegas e surdas, o mundo teria cores, o mundo teria sons? Quem o testemunharia?”
“Nada há que segurar. O vazio é que sustenta mundos, seres e coisas.”
“Uma folha que cai desarruma o universo. O respiro de uma ave afeta o clima da Terra. O balançar de uma teia#11; e aranha afeta a galáxia. Uma criança que nasce muda o destino do mundo. Cada gesto de amor salva toda a humanidade.”
“O infinito nos priva da emoção de chegar. Somente o que é finito tem início, meio e fim. O infinito é caminho, que não termina ou começa em qualquer tempo e lugar.”
“Nascemos de uma explosão: átomo ou ovo primordial a miniatura do nada. Espaço, tempo, matéria e o infinito num ponto. Onde é que Deus estava nesta singularidade?”
“Há mais mistérios na mente do que em toda a extensão do universo.”
“Deus nasce todo dia em cada homem e aprende conosco o que Ele sabe. Deus se deixa encontrar a cada instante, sem ser chamado, sem ser procurado, nos terrenos mais férteis ou mais sáfaros, em meio à oração ou à heresia, sem encontro marcado e em qualquer parte.”
“Deus não é para ser achado. Porque achamos que Deus é isso ou não é aquilo, ficamos na ilusão de O ter achado.”
“É difícil aceitar a face escura de Deus. Raríssimos são aqueles que o conseguem. E os que se tornam a face escura de Deus? Como as pessoas comuns poderão compreendê-los?”
“Deus não está próximo nem longe de nós: Ele simplesmente está.”
“A verdadeira oração se dirige ao Deus que é aquele que ora. Conversar com Deus é dialogar com o mais íntimo de nós.”
“Deus não criou a vida. Ele é a vida. E tudo o que existe é vida.”
“Deus é o caos criador da ordem. A ordem que retorna ao caos. O caos que se converte em ordem na massa pulsante do infinito.”
“Quem ora a Deus, ora a si mesmo. E faz milagres como um Deus finito.”
“O vazio não é a ausência de Deus, mas a Sua invisibilidade.”
“Deus é a substância de tudo, e tudo é Sua manifestação.”
“Deus é espaço e tempo, infinito e eternidade. Nascimento, mudança, morte e renascimento de tudo.”
“Brotamos de Deus como as flores, folhas e frutos brotam da árvore. Todos são e não são a árvore. Todos somos e não somos Deus. Somos Deus brotando de si mesmo.”
“Deus não tem face. Ele é a face de todas as coisas.”
“Os teólogos são os ficcionistas de Deus. São exímios contadores de histórias, que acreditam serem verdadeiras.”
“Máscaras de Deus, só existimos, enquanto Deus em nós se representa. O Bem e o Mal são condições do palco e cessam ao término do espetáculo. O pecado é pensar que existimos nos papéis que nos foram destinados. No pior vilão, no excelso herói, o mesmo Deus se exalta como ator.”
“Um inimigo visível pode ser vigiado. Um inimigo invisível nos vigia.”
“Santificaram a pobreza. Mas muitos pobres preferem a riqueza à santidade. Satanizaram a riqueza. Mas os ricos não se importam se sua riqueza é satânica.”
“Um dia, ficamos adultos e os nossos brinquedos mudaram. Ninguém pode viver sem seus brinquedos.”
“Outrora, essa rua era um enorme e denso silêncio. Muitas árvores. Poucas pessoas. Porém, o rio do barulho urbano invadiu a rua e as casas. E o silêncio se foi na correnteza para nunca mais ser escutado.”
“O elogio é um sedativo, ou um estimulante. De qualquer jeito vicia.”
“Ninguém deixa de amar: o amor é que muda de objeto.”
“Já disseram que somos deuses. O que é ser um deus? Nem mesmo sequer sabemos o que é ser humano!”
“Aprendemos a morrer quando o dormir é profundo e não há sonhos lembrados. Na insônia, a vida resiste.”
“Dói pensar no infinito. Dói pensar na eternidade. Masoquismo cognitivo, obsessão incurável, que o tempo não alivia e só na morte se acaba.”
“A felicidade não se guarda: é para consumo imediato.”
“Eu só serei definitivo quando morrer.”
“O máximo de liberdade ocorre na solidão. A liberdade menor é partilhada com os outros. Mas, sem eles, de que serve a máxima liberdade estéril da solidão?”
“O passado cresce como musgo nas paredes do presente, até que não haja paredes livres para o presente. Até que não haja presente e nem existam paredes.”
“O passado tem muitas portas e, nele, nos perdemos muitas vezes, sem encontrar a porta do presente.”
“O espaço do passado cresce a cada instante pelos aluviões do presente; Mas o espaço do presente é sempre o mesmo.”
“O vento sabe todos os caminhos, mas não deixa seus rastros nas areias.”
“Quem morre, não sonha mais: agora é sonho dos outros.”
“De tudo somos possuídos: coisas, pessoas e idéias. Mas só a morte nos possui de vez.”
“Um dia, volveremos ao infinito. Onde estaremos? E o que seremos? O nada do infinito não responde, pois não há ninguém para escutar.”
“O esquecimento é maior que a morte, porque termina o que a morte começou.”
“Não há explicação para a alegria, nem nos interessa explicá-la. Porém, a doença, o sofrimento, a velhice e a morte inevitável nos fazem pensar que a vida tem alguma explicação.”
“Tudo não pára de viver, tudo não pára de morrer. Eis a imortalidade!”
“Nem o ácido do tempo dissolve a dura saudade em que o amor se tornou.”
“O tempo nem sempre apaga as nódoas do já vivido, principalmente o sofrido e as fundas marcas do amado.”
“Não existe sedativo para uma dor cultivada que não morreu quando devia.”
“O tempo é a eternidade que se perdeu de si mesma.”
“O presente nunca é puro: há sempre as nódoas do passado.”
“Onde o sonho não é possível, começa o território do vazio, o oco do ser, o chão do nada, a despercepção e a desmemória.”
“A consciência sustenta o corpo, o tempo e o espaço. O que sustenta a consciência?”
“Pensar além das galáxias e das fronteiras atômicas, é o nosso único modo de ser também infinito.”
“Saudade há que dura um corpo: é chaga para toda a vida. Sangra quando lembrada e nunca mais cicatriza.”
“Fatos se tornam sonhos e sonhos se tornam fatos. Qual deles é o real? O fato que já passou? O sonho que ainda é sonho?”
“Quem procura sempre agradar, esquece de se agradar.”
“Apegar-se ao conhecimento é o mesmo que se apegar às coisas. Todo apego, seja de que natureza for, é uma prisão. Quem não é livre do que sabe, não pode aprender sempre. Sábio não é aquele que se imobiliza no seu vasto saber, mas aquele que é capaz de renunciar a tudo o que sabe para saber mais.”
“Os mistérios são alucinógenos. A mística é a embriaguês de quem provou o infinito.”
“Um vazio pulsante é o que somos, vivendo na ilusão da solidez. Matéria são vazios que colidem. As formas são momentos do vazio. Tudo é mudança. Mas, o que dirige a universal mudança do vazio?”
“Palavras e números são invenções humanas e, por isso, inúteis para a compreensão do real.”
“O sempre e o nunca são criações do homem desejoso de impor leis à natureza.”
“Toda biografia é, na verdade, uma sucessão de pessoas semelhantes e, em outros momentos, também diferentes.”
“A verdadeira infidelidade é ser fiel ao que não mais somos.”
“A inveja é um desejo paralítico, que não suporta e ambição bem sucedida.”
“Quem se apega ao que foi, carrega um cadáver às costas.”
“É uma infelicidade a ânsia de ser feliz.”
“A fé é a certeza sem prova. A ciência é a probabilidade da certeza.”
“Quem é humilde, não busca, voluntariamente, a humilhação, mas se sujeita à humilhação, que lhe é imposta. Há, no entanto, os que se humilham para satisfazer a vaidade de parecerem humildes.”
“Há doentes que fazem de sua enfermidade uma forma eficaz de domínio sobre as pessoas, aprisionando-as nas cadeias da comiseração.”
“Por que alguém nos deve fazer felizes? Se não nos fizermos felizes, ninguém mais no mundo poderá fazê-lo.”
“Solitário é aquele que pensa só em si. A sua dor é maior, porque é dele só. A sua alegria é menor, porque não é acrescida pela alegria dos outros.”
“Amamos o saber ou, na verdade, amamos o poder que o saber nos dá?”
“Nem sempre é possível libertarmo-nos dos fatos, mas, sim, das idéias que temos sobre eles.”
“Livre pensador é aquele que está livre até de suas próprias idéias.”
“O apego é a maior escravidão. Aquele que se apega, renunciou ao direito de liberdade.”
“Há duas formas de escravidão: a escravidão às coisas e a escravidão às idéias.”
“Ninguém se sacrifica por fazer o que gosta. Sofrer é fazer o que não se quer. Para quem faz o que não quer, até uma flor é pesada.”
“Casamento: duas pessoas que vivem juntas na ilusão de que ainda são as mesmas.”
“Poucos resistem ao fascínio de obter sucesso, e ao fascínio do sucesso, quando obtido.”
“Termos inimigos é inevitável. Porém depende de nós não ser inimigo de ninguém.”
“Não há busca para algo definitivo. Só a busca é definitiva.”
“Sofrer o mal como se fosse efêmero. Gozar o bem como se fosse eterno.”
“A paz é a consciência de que, essencialmente, só somos necessários a nós mesmos”
“O amor é como a religião: precisa de rituais e de mistérios”